Um artigo comentado a partir de Leonard Ravenhill
1. A palavra proibida do púlpito: arrependimento
Arrependimento é uma palavra que muitos evitam. Ela não combina com festas, com conforto religioso ou com um evangelho que tenta ser o menos ofensivo possível. No entanto, arrependimento bíblico não é apenas sentir remorso — é abandonar o pecado, fugir dele, provar com a vida que houve mudança real.
Uma definição antiga diz: arrependimento é deixar o pecado que eu praticava antes e demonstrar, na prática, que estou sinceramente pesaroso por não cometê-lo mais.
Comentário:
Sem abandono do pecado, arrependimento é apenas emoção religiosa.
Questionamentos bíblicos:
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O que João Batista exigia como evidência de arrependimento? (Mateus 3:8)
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Arrependimento bíblico é sentimento ou mudança de direção? (Atos 26:20)
2. Novo nascimento não é maquiagem espiritual
Se alguém nasceu de novo genuinamente, as coisas velhas passaram. Não foram reformadas, não foram ajustadas — passaram. Tudo se fez novo.
O problema é que hoje se prega um evangelho aceitável, indolor, que apenas anestesia consciências. Em vez de despertar pessoas para a vida eterna, muitos estão sendo colocados para dormir espiritualmente — e caminhando tranquilamente para a perdição.
Comentário:
Regeneração não melhora o velho homem; ela cria um novo.
Questionamentos bíblicos:
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O que significa “nascer de novo” segundo Jesus? (João 3:3–8)
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Se nada mudou, houve realmente novo nascimento? (2 Coríntios 5:17)
3. A oração do pecador sem conversão
Milhões fazem a chamada “oração do pecador”, acenam com a cabeça, caminham pelo corredor da igreja — e nada acontece no coração. Sem arrependimento, essa oração se torna um ritual vazio.
Ravenhill chega a dizer que duvida que 5% dos chamados cristãos na América e na Inglaterra tenham realmente nascido de novo.
Comentário:
Decisão sem conversão produz ilusão, não salvação.
Questionamentos bíblicos:
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Jesus falou mais sobre decisões rápidas ou sobre perseverança? (Lucas 9:23)
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Quem realmente entrará no Reino? (Mateus 7:21–23)
4. Religião sem lágrimas, ceia sem cruz
Muitos participam da Ceia do Senhor sem pensar no sangue de Cristo, sem refletir na ira de Deus da qual foram poupados, sem lembrar do inferno do qual foram resgatados.
Se pensassem, chorariam — de alegria ou de quebrantamento. Mas não choram por nada.
Comentário:
Onde não há reverência, a cruz vira costume.
Questionamentos bíblicos:
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Como Paulo orienta a participar da Ceia? (1 Coríntios 11:27–29)
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O sangue de Cristo ainda nos comove? (Hebreus 10:19–22)
5. “Jerusalém, Jerusalém”… ou “América, América”?
Jesus chorou sobre Jerusalém, a cidade que matava os profetas. Hoje, poderíamos dizer: “América, América” — ou qualquer nação que rejeita a verdade enquanto mantém aparência religiosa.
Apesar de milhares de rádios, igrejas e transmissões, muitas nações que já foram berço de avivamentos hoje estão espiritualmente mortas.
Comentário:
Luz rejeitada se transforma em trevas mais profundas.
Questionamentos bíblicos:
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O que Jesus sentiu ao ver uma cidade religiosa e endurecida? (Mateus 23:37)
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Responsabilidade espiritual cresce com a luz recebida? (Lucas 12:47–48)
6. Cristianismo sem sangue, sem luta, sem custo
O autor de Hebreus diz:
“Ainda não resististes até ao sangue, combatendo contra o pecado.”
A fé bíblica sempre custou caro. Cada gota de sangue dos mártires está registrada no céu. No entanto, buscamos um cristianismo de curto prazo: uma noite de oração, alguns minutos a mais por dia, sem cruz, sem perseverança.
Comentário:
Não há cristianismo profundo sem sacrifício real.
Questionamentos bíblicos:
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Qual é o custo de seguir Jesus? (Lucas 14:27–33)
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Estamos dispostos a resistir ao pecado ou apenas a conviver com ele? (Hebreus 12:4)
7. Homens grandes, não ministérios confortáveis
Os grandes homens da fé não buscaram prosperidade, mas gravidade espiritual.
Apóstolos não tinham posses, mas possuíam autoridade. Sofriam açoites, prisões, perseguições — e cantavam.
Paulo escreveu algumas de suas maiores cartas na prisão.
Comentário:
Uma igreja pobre em bens pode ser riquíssima em Deus.
Questionamentos bíblicos:
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O que significa “possuir todas as coisas” em Cristo? (2 Coríntios 6:10)
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Buscamos conforto ou fidelidade? (Filipenses 3:8)
8. Onde está a angústia pelo perdido?
Tudo é programado: hinos, coral, tempo do sermão. Não há espaço para lágrimas, nem para quebrantamento.
“Onde está a angústia?”
Comentário:
Sem angústia espiritual, não há clamor, apenas rotina.
Questionamentos bíblicos:
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Jesus chorou por quem? (Lucas 19:41)
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Ainda sentimos o peso das almas perdidas? (Romanos 9:1–3)
9. O maior milagre não é a cura física
Ravenhill reconhece milagres: cegos vendo, paralíticos andando.
Mas afirma algo mais profundo: o maior milagre é Deus pegar uma pessoa não santa, colocá-la em um mundo não santo e mantê-la santa.
Comentário:
Santidade sustentada é milagre contínuo.
Questionamentos bíblicos:
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Qual é a vontade de Deus para nossa vida? (1 Tessalonicenses 4:3)
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É possível ser santo em uma geração perversa? (Filipenses 2:15)
10. Entretenimento, corrupção e distração espiritual
Vivemos saturados de entretenimento, esporte, pornografia e distrações. Isso molda valores, rouba sensibilidade espiritual e enfraquece a igreja.
Comentário:
O que domina nossa atenção molda nossa devoção.
Questionamentos bíblicos:
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O que ocupa nossos pensamentos? (Colossenses 3:1–2)
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Podemos servir a dois senhores? (Mateus 6:24)
11. Verdade rejeitada gera mais condenação
Deus não revela mais verdade a quem não obedece à que já recebeu.
Mais luz sem resposta gera mais responsabilidade.
Comentário:
Conhecimento sem obediência endurece o coração.
Questionamentos bíblicos:
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Por que Deus fala em parábolas aos que rejeitam a verdade? (Mateus 13:13–15)
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O que fazemos com o que já sabemos? (Tiago 1:22)
12. Um cristianismo sem poder não transforma nações
Enviamos missionários, mas não conseguimos salvar nossa própria nação.
Religião organizada, financeiramente forte, mas espiritualmente fraca, não transforma.
Comentário:
O mundo não precisa de mais estrutura — precisa de poder espiritual.
Questionamentos bíblicos:
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O Reino de Deus consiste em quê? (1 Coríntios 4:20)
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Temos forma de piedade, mas negamos o poder? (2 Timóteo 3:5)
Arrependimento ainda é o caminho
Arrependimento não é popular. Nunca foi.
Mas continua sendo o único caminho para vida, poder e restauração espiritual.
Pergunta final:
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Se Deus nos chamasse hoje ao arrependimento profundo, nós responderíamos — ou explicaríamos por que não podemos?
“Louvado seja o nome do Senhor.”
@DrMFrank
