Modéstia Cristã: Muito Além da Roupa
“Gostaria de iniciar esta reflexão com uma pergunta que, como pastor, julgo essencial para os dias de hoje: por que termos como ‘decência’ e ‘recato’ se tornaram anacronismos incômodos em nossa cultura? É visível que a palavra ‘modéstia’ passou a carregar um estigma, sendo recebida muitas vezes com resistência ou como um sinônimo de repressão. No entanto, precisamos nos questionar honestamente: por que a ideia de proteger a santidade e a discrição gera tanto desconforto? Essa reação defensiva talvez seja o maior sintoma de que nossa cultura moldou nossa visão sobre o corpo e a imagem mais do que as Escrituras o fizeram.
Esse cenário de confusão me tocou profundamente após eu ter contato com os ensinos de Rosaria Butterfield. As palavras dela não apenas me confrontaram como homem de Deus, mas me deram uma nova lente para enxergar o que significa a feminilidade bíblica na prática. Percebi que o debate sobre modéstia foi empobrecido por décadas de legalismo e que meu dever pastoral é ajudá-las a resgatar sua essência bíblica e libertadora. A modéstia não é sobre ocultar o corpo por vergonha, mas sobre revelar a Cristo através de uma vida que transborda em escolhas centradas no Evangelho — e isso, amadas, vai muito além do que vestimos.”
A Modéstia não é Cultural — É uma Questão de Adoração
Durante muito tempo, talvez tenhamos caído no erro de tratar a modéstia feminina apenas como uma etiqueta social, uma preferência estética ou um conjunto de regras datadas e culturais. No entanto, ao mergulharmos nas Escrituras, somos confrontados com uma verdade muito mais aguda: a modéstia — ou a falta dela — nunca é neutra; ela é uma manifestação do estado da nossa alma. As mulheres Cristãs estão lidando com centímetros de tecido, mas com a orientação dos nossos afetos. Se o exterior feminino busca desesperadamente a atenção para sí mesmas, o seu interior está, na verdade, competindo com a glória que pertence apenas a Deus.
O apóstolo Paulo, ao instruir Timóteo, não estava apenas dando conselhos de moda para as mulheres de Éfeso; ele estava estabelecendo um padrão para o culto cristão: “Quero que as mulheres se vistam modestamente, com decência e discrição…” (1 Timóteo 2:9). A palavra grega usada para “decência” aqui é aidos, que carrega o sentido de um profundo respeito e temor reverente. Complementando essa visão, o apóstolo Pedro nos lembra que a verdadeira beleza não reside nos adornos exteriores, mas no “homem interior do coração, no trato incorruptível de um espírito manso e tranquilo” (1 Pedro 3:3-4). Observem, amadas, que a Bíblia não anula a beleza, ela a redefine. Ela desloca o eixo da exibição carnal para a profundidade do espírito.
Como bem observa John Piper, a modéstia é a face visível de um coração que valoriza a Deus acima da autoexaltação. Quando uma mulher compreende sua identidade em Cristo, ela não sente mais a necessidade de usar sua imagem como uma moeda de troca por aprovação ou poder. Nas palavras de C.S. Lewis, a soberba (que é o oposto da modéstia) é o “pecado de comparar”; ela sempre quer ser mais notada, mais admirada, mais destacada.
A modéstia, portanto, não é um esforço para se esconder, mas um esforço para não esconder a Cristo. É a arte teológica de se vestir de tal maneira que, quando as pessoas olharem para você, o foco não termine em sua figura, mas aponte para o Deus que você serve.
Criadas com Propósito: A Identidade como Herança, não como Construção
Amadas, uma das verdades mais libertadoras que precisamos resgatar em nosso tempo é o retorno ao fundamento de nossa existência: “Criou Deus o homem à sua imagem… homem e mulher os criou” (Gênesis 1:27). Como seu pastor, quero que compreendam a profundidade disso: nenhuma de vocês é um acidente biológico ou um subproduto de pressões culturais. A feminilidade não é uma “performance” que vocês encenam ou uma construção social que podem moldar ao próprio gosto. Vocês foram criadas como mulheres por um ato intencional e soberano de Deus. Há uma glória específica na natureza feminina que o homem, sozinho, jamais poderia manifestar.
A autora Rosaria Butterfield nos ajuda a organizar esse entendimento através de duas categorias teológicas vitais: a Ontologia — que diz respeito a quem você é em essência e igualdade de valor diante de Deus — e a Economia — que trata dos papéis e responsabilidades que fluem naturalmente dessa essência. Como bem argumenta o teólogo Wayne Grudem, as distinções entre homem e mulher não são “defeitos” de um sistema antigo, mas parte do projeto “muito bom” de Deus na criação. Existe uma harmonia santa na diferenciação. Quando tentamos apagar essas marcas, não estamos alcançando a liberdade, mas sim desfigurando a obra-prima do Artista.
“A masculinidade e a feminilidade bíblicas não são restrições à nossa alegria, mas o mapa para a nossa plenitude em Cristo.” — Wayne Grudem
Se aceitarmos que a identidade feminina é um design divino, precisamos encarar uma verdade que o mundo tenta esconder: viver em desacordo com esse projeto não é progresso, é distorção. A verdadeira liberdade não reside na exaustiva tarefa de “inventar a si mesma”, mas na alegria de florescer dentro do propósito para o qual você foi planejada. Quando uma mulher abraça sua identidade moldada pelo Criador, a modéstia deixa de ser um conjunto de regras externas e passa a ser a moldura que protege e honra a preciosidade da sua criação.
A Graça não Cancela a Natureza: O Amadurecimento da Alma
Amadas, há um princípio teológico que precisamos abraçar se quisermos compreender a profundidade da nossa caminhada com Cristo. Rosaria Butterfield, com sua clareza característica, afirma algo que nos confronta e nos liberta simultaneamente: “A graça não cancela a natureza — ela a amadurece”. Esta frase ecoa uma verdade defendida por séculos na tradição cristã, inclusive por pensadores como Tomás de Aquino, que ensinava que a graça não destrói a natureza, mas a aperfeiçoa (gratia non tollit naturam, sed perficit eam).
O que isso significa na prática da modéstia? Significa que quando o Espírito Santo habita em uma mulher, Ele não apaga a sua feminilidade; Ele a cura, a ordena e a leva à sua expressão mais plena e bela. Quando uma mulher rejeita a modéstia, ela não está apenas infringindo uma regra de conduta ou um código de vestimenta; ela está, na verdade, se distanciando da própria identidade que o Criador lhe conferiu. Como nos ensina o apóstolo Paulo em Efésios 2:10, somos “feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras”. A modéstia é uma dessas “boas obras” que revelam a nossa nova natureza.
O teólogo Herman Bavinck argumentava que o pecado não é uma substância nova, mas uma parasita que distorce o que é bom. Assim, a falta de modéstia é uma distorção da beleza que Deus criou. Ao buscarmos a autoexposição ou a sensualidade, não estamos encontrando liberdade; estamos sofrendo uma perda. Estamos trocando a dignidade de ser uma “coluna esculpida” no palácio do Rei (Salmo 144:12) pela atenção barata e passageira do mundo.
“A santidade não é o apagamento da personalidade ou da natureza, mas a sua libertação das distorções do pecado para que ela brilhe como Deus planejou.” — C.S. Lewis (paráfrase de Cristianismo Puro e Simples)
Portanto, irmãs, compreendam: a modéstia é o amadurecimento da graça em vocês. É o sinal de que o seu coração já não precisa gritar por atenção, pois ele já repousa na aceitação do Pai. Viver em modéstia não é “perder” a sua beleza ou o seu estilo; é permitir que a graça de Deus restaure a natureza feminina à sua glória original — uma glória que não se desgasta com o tempo, mas que brilha cada vez mais até o dia perfeito.
O Amor ao Próximo: A Modéstia como Exercício de Alteridade
Preciso tocar em um ponto que frequentemente gera resistência em nossos dias, uma frase que se tornou o escudo de muitas: “O problema da luxúria é dele, o olhar é dele, não meu”. Embora seja verdade que cada indivíduo responderá diante de Deus pelos seus próprios desejos — como Jesus adverte severamente em Mateus 5:28 ao dizer que aquele que olha com intenção impura já adulterou em seu coração — a ética do Reino de Deus não termina na responsabilidade individual. Ela floresce no cuidado com o próximo.
O apóstolo Paulo, em sua profunda sabedoria pastoral, eleva o padrão do nosso comportamento em Romanos 14:13: “Decidam, antes de tudo, não colocar tropeço ou escândalo no caminho do irmão”. E ele vai além em 1 Coríntios 8:13, ao declarar que, se o consumo de algo lícito (como a carne) fizesse seu irmão tropeçar, ele jamais voltaria a comê-la. O princípio aqui é revolucionário: o meu direito termina onde começa o meu dever de amar. Como bem afirmou o teólogo John Stott, “a liberdade cristã não é a liberdade para satisfazer os nossos desejos, mas a liberdade para servir uns aos outros no amor”.
Isso nos confronta profundamente. Se Paulo estava disposto a abrir mão de um alimento necessário por amor à consciência de um irmão mais fraco, como podemos nós resistir a abrir mão de uma peça de roupa ou de uma postura de autoexposição que sabemos ser um potencial campo de batalha para o outro? A modéstia, vista por este prisma, deixa de ser uma restrição e passa a ser uma forma de hospitalidade espiritual. Como nos lembra Rosaria Butterfield, a nossa vida não nos pertence; somos parte de um corpo.
“O amor não busca os seus próprios interesses.” — 1 Coríntios 13:5
Quando você escolhe a modéstia, você está pregando o Evangelho sem dizer uma palavra. Você está dizendo ao seu irmão em Cristo: “Eu valorizo a sua santidade tanto quanto a minha”. O teólogo puritano Richard Baxter costumava ensinar que ser uma ocasião de pecado para o outro é participar do pecado dele. Portanto, irmãs, a pergunta que devemos fazer diante do espelho não é apenas “eu me sinto bem?”, mas “este traje serve ao bem do meu irmão e à glória de Deus?”. A verdadeira elegância cristã é aquela que se veste de caridade.
O Peso do Skándalon: Edificação ou Armadilha?
Há uma palavra nas Escrituras que deveria fazer tremer o coração de todo aquele que professa o nome de Cristo: skándalon. No original grego, o termo não se refere a um simples deslize ético, mas à peça de madeira que acionava uma armadilha — o gatilho que fazia a caça cair na rede. Quando Jesus trata desse tema, Sua linguagem é de uma severidade que raramente encontramos em outros ensinos: “Ai do mundo por causa dos escândalos! Porque é inevitável que venham escândalos, mas ai do homem por quem o escândalo vem!” (Mateus 18:7).
Este “Ai” proferido pelo Salvador não é um lamento passageiro; é uma expressão de juízo e dor. O teólogo D.A. Carson, em seus comentários sobre os Evangelhos, observa que Jesus coloca o pecado de levar outros a tropeçar em uma categoria de extrema gravidade, pois atenta contra a santidade do corpo de Cristo. Como seu pastor, preciso lhes perguntar com sinceridade: quando vocês escolhem a forma como se apresentam ao mundo, estão agindo como ferramentas de edificação ou estão, ainda que inconscientemente, armando o gatilho de um skándalon para os seus irmãos?
O puritano Thomas Watson, em sua obra The Body of Divinity, lembrava que “o pecado de um é muitas vezes a tentação de outro”. Se a nossa liberdade de vestir ou de nos comportar ignora a fragilidade do irmão, nossa liberdade tornou-se rebeldia disfarçada de direito. O apóstolo Paulo reforça essa gravidade em 1 Coríntios 8:12: “Pecando assim contra os irmãos e ferindo a sua consciência fraca, vocês pecam contra Cristo”. Percebam a progressão teológica: o que você faz com sua imagem não afeta apenas o olhar do seu próximo; afeta a sua comunhão com o próprio Senhor.
“A maior prova de amor que podemos dar ao nosso próximo é não sermos o combustível para as chamas da sua tentação.” — Charles Spurgeon (paráfrase)
Minha oração, como guia de suas almas, é que cada uma de vocês faça a si mesma esta pergunta difícil diante do espelho da Palavra: “Minha presença neste ambiente aponta para a pureza de Deus ou serve de distração para a santidade do meu irmão?”. Não permitam que a busca por afirmação pessoal as torne uma armadilha no caminho de quem Cristo morreu para salvar. Que a nossa beleza seja o perfume de Cristo que atrai para o céu, e não o laço que prende alguém à terra.
Três Cosmovisões que estão Moldando (e Deformando) Tudo
Amadas, precisamos ter a clareza de que ninguém vive em um vácuo ideológico. Como seu pastor, meu dever é alertá-las de que existem correntes invisíveis moldando a percepção de vocês sobre o próprio corpo e sobre o próximo. Se não filtrarmos o que consumimos pelas lentes das Escrituras, seremos inevitavelmente “conformados a este século” (Romanos 12:2). A primeira dessas forças, e talvez a mais sutil em nossa cultura, é a autonomia radical.
1. Feminismo: A Autonomia como Ídolo
Desde as raízes intelectuais de Mary Wollstonecraft até as expressões mais extremas dos movimentos modernos, a mensagem central que ecoa em nossa cultura é: “Meu corpo, minhas regras; eu não devo nada a ninguém”. Esta visão eleva a autonomia — a capacidade de ser a própria lei — ao status de divindade. No entanto, o Evangelho nos apresenta uma realidade diametralmente oposta. A Bíblia nos ensina em 2 Coríntios 5:15 que Cristo morreu por todos para que “os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”.
A autonomia absoluta é, na verdade, a raiz do pecado original: o desejo de ser como Deus, independente e autossuficiente. Como observa o teólogo Abraham Kuyper, não há um único centímetro quadrado em todos os domínios de nossa existência sobre o qual Cristo não clame: “É meu!”. Isso inclui o modo como vocês se vestem e como se apresentam. O amor cristão é, por definição, um amor sacrificial, que abre mão de “direitos” em favor da santidade do corpo de Cristo.
O autor cristão C.S. Lewis, em O Peso da Glória, nos lembra que não existem pessoas “comuns”; estamos todos, a cada momento, ajudando uns aos outros a chegar a um destino de glória ou de horror. Portanto, a ideia de que “minha escolha não afeta ninguém” é uma ilusão perigosa. Quando uma mulher cristã adota a retórica da autonomia radical, ela troca a liberdade de ser serva do Deus Vivo pela escravidão de ser serva de si mesma.
“O cristão não pertence a si mesmo; ele foi comprado por um preço. A verdadeira liberdade não é o direito de fazer o que se quer, mas o poder de fazer o que se deve.” — Charles Hodge (adaptado)
2. Transgenerismo: A Rebelião contra a Linguagem do Corpo
Se o feminismo tentou separar o sexo biológico do papel social, o pensamento transgênero contemporâneo foi ainda mais longe: ele busca desconectar totalmente a identidade da realidade do corpo. A mensagem que o mundo sopra aos ouvidos de vocês, amadas, é que o corpo é apenas uma “embalagem” neutra ou, pior, um erro de percurso que pode ser corrigido pela vontade individual. Essa visão antropológica nega que o corpo tenha qualquer significado intrínseco ou mensagem sobre quem somos.
Contudo, as Escrituras nos levam de volta ao berço da nossa existência. O Salmo 139:13-14 é uma declaração de soberania divina sobre a nossa biologia: “Tu formaste o meu interior… de modo assombrosamente maravilhoso fui feito”. Percebam a profundidade disso: Deus não apenas criou a sua alma; Ele teceu o seu corpo. Como ensina o teólogo Christopher West, em sua análise da Teologia do Corpo, o nosso corpo “fala uma linguagem” que revela o design do Criador. Negar o significado do corpo feminino é, em última análise, silenciar a voz de Deus gravada em sua própria carne.
O teólogo reformado Herman Bavinck argumentava que o ser humano não tem um corpo, ele é um corpo e uma alma em unidade substancial. Quando o mundo diz que você pode ser o que quiser, independentemente de como Deus a formou, ele está oferecendo uma liberdade ilusória que gera fragmentação e angústia. O apóstolo Paulo nos lembra em 1 Coríntios 6:19-20 que o nosso corpo é “santuário do Espírito Santo” e que fomos “comprados por preço”. Portanto, glorificar a Deus no corpo inclui aceitar com gratidão a identidade feminina que Ele nos deu.
“O corpo não é um acessório da nossa identidade; ele é o anúncio do propósito de Deus para nós.” — Elisabeth Elliot (paráfrase)
Minhas irmãs, a modéstia cristã começa com a aceitação alegre do corpo feminino. Quando uma mulher se veste com modéstia, ela não está escondendo algo “ruim”, ela está honrando algo “sagrado”. Ela está dizendo ao mundo: “Meu corpo não é um rascunho a ser corrigido pela cultura, mas uma obra-prima de Deus que comunica a Sua beleza e ordem”. Rejeitar essa ordem é rejeitar o próprio Artista que as teceu no ventre materno.
3. Igualitarismo: O Individualismo Disfarçado de Piedade
Chegamos ao ponto que considero o mais sutil e, por isso, o mais perigoso para a saúde espiritual da nossa congregação. O igualitarismo moderno muitas vezes utiliza uma linguagem bíblica atraente para esvaziar as responsabilidades mútuas e as distinções de papéis que Deus estabeleceu. Sob o pretexto de “igualdade”, ele acaba promovendo um individualismo feroz, onde a fé é reduzida a uma experiência isolada: “Eu e Deus, minhas escolhas e ninguém tem nada com isso”.
No entanto, amadas, a vida cristã nunca foi um projeto de independência; ela é, do início ao fim, uma jornada de interdependência. O apóstolo Paulo é categórico em Gálatas 6:2: “Levai as cargas uns dos outros e, assim, cumprireis a lei de Cristo”. Cumprir a lei de Cristo não é apenas evitar o pecado individual, mas zelar para que o peso da caminhada do seu irmão seja mais leve. Como afirma o teólogo Dietrich Bonhoeffer em sua obra Vida em Comum, o cristão precisa do outro por causa de Jesus Cristo. Não somos ilhas de santidade; somos membros de um corpo onde o que um faz afeta a saúde de todos (1 Coríntios 12:26).
O perigo do igualitarismo dentro da igreja é que ele apaga a beleza da “complementariedade”. Como ensina o teólogo John Piper, quando homens e mulheres ignoram suas distinções dadas por Deus, eles não se tornam mais livres; eles se tornam mais solitários e confusos. A modéstia, dentro desta cosmovisão igualitária, é vista como uma invasão da privacidade, quando, na verdade, ela deveria ser vista como um ato de serviço. Se eu ignoro como minha imagem afeta meu irmão, eu estou vivendo um cristianismo centralizado em mim mesmo, e não no amor sacrificial que Cristo exemplificou.
“A verdadeira marca da maturidade cristã não é a independência, mas uma dependência mútua e alegre sob o senhorio de Cristo.” — J.I. Packer (paráfrase)
Minhas irmãs, não se deixem enganar por uma teologia que as isola em suas próprias vontades. O igualitarismo que ignora a responsabilidade mútua é um evangelho sem cruz. A modéstia é o exercício prático de quem entendeu que pertence a uma família. É dizer: “Eu abro mão do meu ‘direito’ de me vestir como o mundo dita, para que eu possa servir à pureza da minha família na fé”. Lembrem-se: o individualismo constrói muros; o amor cristão constrói pontes de santidade.
Modéstia Feminina: Não um Fardo, mas um Chamado à Glória
Amadas ovelhas, após percorrermos este caminho de reflexão, uma verdade precisa ecoar em seus corações: a modéstia cristã não é sobre repressão, mas sobre identidade. O mundo tentará convencê-las de que o recato é uma prisão, mas as Escrituras revelam que ele é a moldura de uma liberdade que o mundo desconhece. Como bem afirma Nancy DeMoss Wolgemuth: “A verdadeira modéstia não é um conjunto de regras externas; ela flui de um coração completamente rendido e satisfeito em Deus”. Se o seu coração encontrou repouso na aprovação do Pai, você não sentirá mais a sede insaciável pela atenção dos homens.
A modéstia não começa no guarda-roupa; ela nasce no santuário da alma. O apóstolo Pedro nos ensina que a beleza que não perece é a de um “espírito manso e tranquilo, que é de grande valor diante de Deus” (1 Pedro 3:4). No entanto, precisamos ser honestos: embora a modéstia comece no interior, ela não termina ali. Uma fé que não se manifesta na forma como cuidamos do nosso corpo é uma fé abstrata. Como observou o teólogo C.S. Lewis, “Deus gosta da matéria; Ele a inventou”. Portanto, o que fazemos com a nossa imagem é a “liturgia” da nossa vida cotidiana.
O puritano Matthew Henry, em seus comentários, dizia que a vestimenta cristã deve servir a três propósitos: proteger a castidade, honrar a natureza e glorificar ao Criador. Se a sua roupa busca apenas exaltar a sua própria figura, ela falhou em sua missão mais nobre. A modéstia é o seu “sim” ao senhorio de Cristo sobre todas as áreas da vida. É a compreensão de que você é uma “embaixadora de Cristo” (2 Coríntios 5:20) e que sua aparência deve facilitar, e não obstruir, a mensagem do Evangelho que você carrega.
“A modéstia é a humildade aplicada ao corpo. É o desejo de que Cristo seja visto através de nós, e não que nós sejamos vistos em vez de Cristo.” — Elisabeth Elliot
Portanto, minhas irmãs, não vejam a modéstia como um fardo pesado, mas como um chamado à dignidade. Vocês não estão se “escondendo”; vocês estão se “reservando” para a glória de Deus. Que o seu modo de vestir seja um reflexo da ordem, da beleza e da pureza do Reino ao qual vocês agora pertencem. Que ao olharem para vocês, o mundo não veja apenas uma mulher bem-vestida, mas vislumbre o caráter daquela que foi vestida com as “vestes da salvação” e o “manto da justiça” (Isaías 61:10). @DrMFrank
@DrMFrank
Para focar na Adoração e Santidade:
Romanos 12:1: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que ofereçam seus corpos como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês.” (Ideal para reforçar que a forma como nos apresentamos é parte do nosso culto).
Para focar no Perigo da Autoexaltação (Soberba):
Provérbios 31:30: “A beleza é enganosa, e a vilosidade é passageira; mas a mulher que teme ao Senhor será elogiada.” (Perfeito para conectar a modéstia ao “temor reverente” que você mencionou).
Para focar na Identidade em Cristo:
1 Coríntios 6:19-20: “Acaso não sabem que o corpo de vocês é santuário do Espírito Santo… Vocês não são de si mesmos; foram comprados por alto preço. Portanto, glorifiquem a Deus com o seu próprio corpo.”
Conclusão: Um Chamado à Redenção e à Verdade
Amadas filhas, ao chegarmos ao fim desta reflexão, três verdades fundamentais devem permanecer gravadas em vossas mentes: a modéstia não é opcional, a feminilidade não é uma construção humana e o amor ao próximo sempre exigirá renúncia. Como seu pastor, eu mesmo precisei reconhecer que, muitas vezes, permitimos que as sutilezas deste século moldem nossa percepção sem que percebamos. No entanto, a resposta bíblica para esse diagnóstico não é a culpa paralisante, mas o arrependimento que conduz à vida — uma volta alegre para os braços do Pai.
O caminho para a restauração da nossa identidade é prático e exige intencionalidade. Precisamos, primeiro, voltar à autoridade da Palavra, permitindo que ela seja a lâmpada para os nossos pés em um mundo de trevas morais. Segundo, devemos cultivar uma comunhão genuína, pois a santidade floresce no jardim da igreja, não no isolamento. E, como Paulo instrui em Tito 2:3-5, exorto as jovens a buscarem o conselho e o exemplo das mulheres mais maduras na fé, aquelas cuja “beleza interior” já foi provada pelo tempo e pela fidelidade. Como afirma Elisabeth Elliot, “a feminilidade cristã é um sacrifício vivo, e o altar é o lugar onde nossa vontade se encontra com a vontade de Deus”.
A vida cristã autêntica é vivida com o olhar na eternidade. O teólogo Jonathan Edwards costumava orar: “Senhor, carimba a eternidade em meus olhos”. Se vivermos com essa perspectiva, a pergunta que guia nossas escolhas diante do espelho e da vida mudará radicalmente. Não perguntaremos mais: “Até onde posso ir sem pecar?” ou “Qual o limite da minha liberdade?”. Essas são perguntas de quem ainda busca as fronteiras do próprio ego.
A pergunta de uma mulher cujo coração foi cativado pela graça é outra: “Isso glorifica a Deus e edifica o meu irmão?”. Como nos lembra o apóstolo em 1 Coríntios 10:31, quer comais, quer vistais, fazei tudo para a glória de Deus. Que a vossa modéstia seja o reflexo de uma alma que já se sente plenamente vestida pela justiça de Cristo e que, por isso, não precisa mendigar a atenção do mundo. Que sejais conhecidas não pelo que ocultais, mas por Quem vós revelais.
Para a glória d’Ele,
@DrMFrank
